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Meio ambiente: Dicas para cultivar em pequenos espaços


Estudantes do curso técnico em Agroecologia do IFRS Campus Restinga

Uma forma de proteger o meio ambiente e ainda melhorar a alimentação está ao alcance de praticamente todos. Plantar temperos ou hortaliças representa benefícios para a natureza, o bolso e a saúde e, com alguns cuidados, é viável mesmo para quem tem pouco espaço.

Em alusão ao Dia do Meio Ambiente, 05 de junho, o Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Rio Grande do Sul (IFRS) apresenta dicas para auxiliar quem quer começar ou manter a sua própria horta, seja ela na janela do apartamento, seja no quintal de casa (confira abaixo).

O IFRS oferece aproximadamente 30 opções de cursos técnicos e superiores de graduação ligados à área de agricultura ou meio ambiente (acesse o Guia de Cursos). Além disso, são realizados cursos de Formação Inicial e Continuada e projetos para ensinar e incentivar o cultivo de alimentos nas comunidades – iniciativas que envolvem professores, estudantes e técnicos administrativos da instituição.

As orientações a seguir, na seção “Perguntas e respostas”, vêm de quem tem experiência no assunto. Foram compartilhadas pelos professores Jovani Zalamena e Gabriel Nachtigall Marques, que coordenam o curso superior de Tecnologia em Agroecologia do Campus Restinga e também o projeto de extensão “Agricultura Urbana na Restinga – Cultivando Hortas Orgânicas na Periferia de Porto Alegre”, que promove oficinas e atividades práticas em escolas, centros assistenciais, unidades de saúde e outros espaços do bairro; e pelos professores Manuela Finokiet e Daniel Rockenbach e os bolsistas Rafaela Paulon, Mateus Devit, Luiza Scorçato e Manuella da Silva, do projeto Laboratório Vivo de Agroecologia, do Campus Alvorada. Essa ação envolve estudantes do curso técnico em Meio Ambiente integrado ao ensino médio no desenvolvimento de atividades teóricas e práticas na horta agroecológica do Campus Alvorada.

 

Perguntas e respostas sobre o cultivo em pequenos espaços:

Clique na pergunta para acessar a resposta e algumas fotos.

Sim, o planejamento básico é importante mesmo em projetos pequenos. O primeiro passo é observar o espaço disponível e a incidência de luz solar. Algumas hortaliças, como as folhosas, precisam de cerca de 5 horas de luz, no mínimo, enquanto hortaliças como o alho e a cebola requerem entre 10 e 12 horas de luz diária para produção. As hortaliças de fruto também são mais exigentes em radiação solar.

Por isso, é importante conhecer a disponibilidade de luz do local e definir as espécies que serão cultivadas para cada época do ano. Em geral, folhosas, como alface e rúcula, e temperos verdes, como cebolinha e salsinha, são excelentes alternativas para boa parte do ano, especialmente em ambientes com pouca disponibilidade de luz.

Atenção especial deve ser dada ao solo, escolhendo áreas bem drenadas, com solo descompactado (fofo) e elevado teor de matéria orgânica (terra preta/solo escuro). Para o cultivo em vasos ou estruturas semelhantes, é importante utilizar materiais de baixa densidade (materiais leves). Muitas vezes, é necessário misturar composto orgânico, cascas e folhas em decomposição ao solo ou até mesmo substratos comerciais.

Também é importante definir uma fonte de água para irrigação e quanto tempo a pessoa poderá dedicar aos cuidados da horta. Para iniciantes, o ideal é começar com poucas espécies e plantas de ciclo rápido e manejo simples, como alface, rúcula, temperos e plantas medicinais.

Em pequenos espaços como sacadas de apartamentos, os vasos, jardineiras, garrafas pet reutilizadas e estruturas verticais podem ser boas alternativas. Se quiser economizar, pode reaproveitar pallets, garrafas pets, canos PVC, embalagens em geral.

Mais do que produzir alimentos em grande quantidade, a horta doméstica deve ser vista como uma experiência de aprendizagem, bem-estar e aproximação com a natureza.

📸As fotos acima mostram estudantes construindo hortas verticais para pequenos espaços com o reaproveitamento de materiais. As fotos à esquerda e ao centro são de estudantes do curso técnico em Agroecologia do IFRS Campus Restinga. Na foto à direita, são bolsistas do projeto Laboratório Vivo de Agroecologia, do Campus Alvorada, com um sementário feito por eles mesmos.

 

Do ponto de vista alimentar, a horta doméstica possibilita o acesso a alimentos frescos, livres de agrotóxicos, reduzindo o consumo de produtos ultraprocessados e estimulando hábitos mais saudáveis.

Também existem benefícios ambientais, como o reaproveitamento de resíduos orgânicos na compostagem, a redução do descarte de materiais e a valorização da produção local de alimentos.

Além disso, cultivar plantas contribui para o bem-estar físico e emocional. Muitas pessoas relatam redução do estresse, melhora da ansiedade e maior sensação de conexão com a natureza (na foto 4 tem um exemplo de horta construída numa Unidade de Saúde – através de oficinas e mutirões foram preparados canteiros, plantadas hortaliças e medicinais, e, mais tarde, realizada a colheita e orientações de preparo do alimento, sempre com participação da comunidade).

Outros benefícios também são o incentivo a comer melhor e a economia no supermercado. No caso do plantio de plantas medicinais, além de diminuir a dependência em relação à indústria farmacêutica, também ajuda a transmitir e valorizar conhecimentos e costumes de gerações passadas (nossos avós, bisavós).

Plantar seu próprio alimento envolve considerar conhecimentos científicos e também tradicionais. Envolve cuidado, parada, atenção.

📸 Na foto acima à esquerda, um exemplo de horta construída numa Unidade de Saúde – através de oficinas e mutirões foram preparados canteiros, plantadas hortaliças e medicinais, e, mais tarde, realizada a colheita e orientações de preparo do alimento, sempre com participação da comunidade, no projeto Agricultura Urbana na Restinga. Na foto à direita, estudantes trabalhando no Laboratório Vivo do Campus Alvorada.

 

Plantas são seres vivos e precisam de cuidado e atenção. Os principais desafios normalmente estão relacionados à falta de tempo para o manejo. Implantar uma horta é simples e pontual, mas os cuidados são contínuos. Em alguns locais, a falta de luminosidade e baixa qualidade do solo também são obstáculos relevantes.

Outro aspecto importante é a expectativa. Muitas vezes as pessoas imaginam que terão alta produção logo no início, mas o cultivo de hortaliças envolve observação, aprendizado e adaptação. Perdas ocasionais por insetos ou doenças e adversidades meteorológicas (vento, temperaturas extremas, granizo, geada) fazem parte do processo.

Por isso, é importante começar de forma simples, respeitando as condições do espaço e entendendo que a prática melhora com a experiência. Não tenha medo de errar, primeiro plante, observe o desenvolvimento das plantas e vá trocando informações com os vizinhos para, aos poucos, ir ganhando mais confiança e entendendo melhor todo o processo de cultivo e manejo.

 

Quem mora em casa geralmente possui maior flexibilidade de cultivo, podendo utilizar canteiros, vasos maiores ou até pequenos sistemas verticais. Entre as espécies mais indicadas estão alface, almeirão, rúcula, cebolinha, repolho, salsa, coentro, couve, tomate-cereja, pimentas, manjericão e hortelã.

Algumas plantas alimentícias não convencionais (PANCs), como ora-pro-nóbis e capuchinha, também podem ser boas opções. Especialmente para as hortaliças, é fundamental pesquisar as indicações básicas da adequada época de plantio.

Em locais com mais espaço e boa incidência solar, é possível cultivar pequenas frutíferas em vasos, como morango e amora-preta.

📸Nas fotos acima, produção de folhas verdes e de frutas do Campus Restinga. Nas fotos abaixo, preparação de canteiros e plantio no Campus Alvorada.

 

Em apartamentos, o principal fator, geralmente, é a luminosidade. Sacadas e janelas bem iluminadas favorecem bastante o cultivo. É importante que em locais fechados haja possibilidade de abertura nos períodos mais quentes do ano.

As espécies mais recomendadas são temperos e ervas aromáticas, como manjericão, salsa, cebolinha, tomilho, alecrim e hortelã. Alfaces e rúcula também podem funcionar bem em jardineiras (foto ao lado). Entretanto, com a devida adaptação e manejo, pessoas mais experientes conseguem cultivar tomate cereja e pimenta em vasos de 10 litros.

O ideal é optar por recipientes leves, com boa drenagem, e evitar espécies que cresçam demais ou tenham raízes muito profundas. Hortas verticais costumam ser uma excelente alternativa para otimizar espaços reduzidos.

 

A escolha entre mudas e sementes depende do objetivo, da espécie cultivada, da experiência da pessoa e das condições disponíveis. Para iniciantes, o uso de mudas geralmente apresenta maior taxa de sucesso, pois reduz o período mais sensível do desenvolvimento da planta, que compreende germinação e emergência. Além disso, as mudas permitem melhor uniformidade inicial e menor risco de perdas causadas por manejo inadequado de irrigação, temperatura ou substrato. Além de ser mais rápido para a colheita.

Geralmente, com o ganho de experiência e prática, as pessoas começam a produzir suas próprias mudas a partir de sementes. Para a produção de mudas, a semente deve ser plantada a uma profundidade equivalente a duas ou três vezes o seu tamanho, a terra tem que ser mantida úmida, de preferência usando um borrifador para não acabar movendo as sementes.

Achou lindo e gostoso aquele tomate, pimentão, maracujá que comprou na feira ou no mercado? Então guarde as sementes e produza as próprias mudas para sua horta e compartilhe com os vizinhos.

Independentemente da forma de propagação, é importante adquirir sementes e mudas de boa procedência e adequadas à época do ano e ao clima da região.

📸 Na foto à esquerda, um exemplo de mudas que foram produzidas pelo Campus Restinga a partir de sementes de pimentões comprados na feira orgânica. Na foto ao centro e na imagem à direita, mudas do curso técnico em Meio Ambiente do Campus Alvorada.

 

O cuidado mais importante é a observação frequente. Plantas “mostram” quando há excesso ou falta de água, deficiência de nutrientes ou problemas com insetos ou doenças. Por isso, a constância no contato com as plantas é fundamental.

Nesse sentido, o fornecimento de água deve ser regular, mas sem encharcar o solo e os vasos. Em geral, os melhores horários para irrigação são o início da manhã ou o final da tarde. Uma dica sustentável é investir na captação de água da chuva para utilizar nas plantas. Além de ser ambientalmente adequado, a água da chuva não possui cloro.

Mantenha o solo coberto com palhas o tempo todo, pois essa prática impede o crescimento de plantas espontâneas, conserva a umidade do solo e evita a erosão causada pelo impacto das gotas da chuva. Utilize palha proveniente de capinas ou até mesmo do corte de grama para cobrir o solo (📸 foto acima à esquerda, do Campus Restinga).

Reaproveite os resíduos orgânicos gerados na cozinha (cascas de frutas, legumes, borra de café, erva de chimarrão) e faça compostagem ou vermicompostagem para usar nos canteiros ou vasos (📸 foto acima à direita, do Campus Restinga). 📸 As abobrinhas da foto abaixo, à esquerda, foram cultivadas no canteiro da compostagem (Campus Restinga).

Aposte na diversificação de espécies cultivadas. Quanto maior a diversidade de plantas, maior o número de organismos benéficos e suas interações (📸foto abaixo, à direita, do Campus Restinga). Desse modo, mais próximo do equilíbrio natural o sistema estará.

E a principal: Cultive e divirta-se!

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