Início do conteúdo

IFRS participa do Projeto Museu Casa Petronilha


O Museu Casa Petronilha está sendo criado em Porto Alegre para homenagear a professora Petronilha Beatriz Gonçalves e Silva. A docente tem uma trajetória marcada pela atuação em defesa da educação antirracista e da valorização da cultura afro-brasileira e foi a primeira mulher negra a integrar o Conselho Nacional de Educação (em 2002). O Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Rio Grande do Sul (IFRS) é uma das instituições envolvidas na iniciativa, que tem a coordenação da Universidade Federal do Pampa (Unipampa).

Desde 2025, o acervo pessoal e profissional de Petronilha vem sendo organizado, documentado e preservado. As atividades acontecem no Rio Grande do Sul e em São Paulo, locais onde estão os imóveis que abrigam os acervos da professora. Participam também a Unesco e as universidades federais do Rio Grande do Sul e de São Carlos. 

O projeto está alinhado à Política Nacional de Equidade, Educação para as Relações Étnico-Raciais e Educação Escolar Quilombola (PNEERQ). É viabilizado com recursos do Ministério da Educação (MEC), por meio da Secretaria de Educação Continuada, Alfabetização de Jovens e Adultos, Diversidade e Inclusão (Secadi), e conta com apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa e Extensão Universitária (Fapeu).

Atuação do IFRS 

No Campus Porto Alegre do IFRS, materiais selecionados para o Museu são armazenados. Além disso, seis estudantes da unidade são bolsistas no projeto, atuando com profissionais arquivistas, museólogos e bibliotecários.

A assessora de Relações Étnico-Raciais do Instituto, Alba Salatino, também integra a iniciativa e foi uma das formadoras do Seminário de Preparação para o Trabalho Técnico e Educativo no Museu, realizado em outubro do ano passado. Ela destaca a relevância social do projeto, ao dar visibilidade a uma das intelectuais brasileiras mais citadas no exterior:

“Enquanto pesquisadores, poderemos acessar o repertório afetivo e acadêmico da professora Petronilha, memórias cristalizadas em objetos/literatura que nos contam histórias da Porto Alegre negra, da construção da identidade, pessoal e acadêmica, da professora e nos inspiram a seguir em frente, na luta por uma educação equânime e democrática”, observa Alba. 

Pelo Instituto, participam também o pró-reitor de Ensino, Fábio Azambuja Marçal; e gestores do Campus Porto Alegre: o diretor-geral, Sérgio Viana; a diretora de extensão, Cintia Stocchero; e a coordenadora do Núcleo de Estudos Afro-brasileiros e Indígenas (Neabi), Andrea Ribeiro Gonçalves.

Professora Petronilha é referência nacional e internacional

Referência nacional na educação e nos estudos das relações étnico-raciais, Petronilha Gonçalves e Silva (com as flores, na foto acima) nasceu em 1942, na antiga Colônia Africana, atual Bairro Rio Branco, em Porto Alegre, cidade onde ela ainda reside. Entre os reconhecimentos recebidos, em 2024 a professora foi homenageada pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (Ufrgs) com o título de Doutora Honoris Causa. Já em 2025, o MEC instituiu o Selo Petronilha Beatriz Gonçalves e Silva, iniciativa destinada a reconhecer secretarias de educação comprometidas com a implementação da legislação que torna obrigatório o ensino da história e cultura afro-brasileira e indígena nas escolas brasileiras.

Fim do conteúdo