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ESPECIAL: Mulheres do IFRS – Campus Bento Gonçalves na realeza da Fenavinho
Do IFRS para a Corte: Alana Foresti, Jéssica Bellé e Laura Strozak protagonizam sucessão histórica da Fenavinho
A eleição da nova realeza da 22ª Fenavinho, ocorrida em 8 de junho de 2026, definiu as embaixadoras que conduzirão as comemorações dos 60 anos da festa em 2027. O momento marca um novo capítulo na história de Bento Gonçalves e reforça a ligação entre a Fenavinho e instituições que contribuem para a formação da identidade cultural da região. Escolhidas entre 11 candidatas, as soberanas assumem a missão de representar uma tradição iniciada em 1967 e de divulgar o potencial empreendedor, a cultura e os valores da Serra Gaúcha.
A corte é liderada pela Imperatriz do Vinho, Alana Foresti, de 30 anos, representante da Ludfor Energia. Ao seu lado estão as Damas de Honra Jéssica Bellé, de 25 anos, representante do Vale Buratti e da Cooperativa Vinícola Aurora, e Bianca Moraes Dall Agnol, de 28 anos, representante da Subseção da OAB de Bento Gonçalves. O trio sucede a realeza que esteve à frente da festa nas 20ª e 21ª edições, formada pela Imperatriz Laura Caroline Pouluk Strozak e pelas Damas de Honra Yasmin Luiza De Lima Barbacovi e Graziele Miszevski.
Entre a corte que encerra seu reinado e a que inicia uma nova etapa, Alana Foresti, Laura Strozak e Jéssica Bellé compartilham a mesma origem acadêmica como egressas do IFRS – Campus Bento Gonçalves. Suas trajetórias evidenciam como a formação pública de qualidade impacta a vitivinicultura, as manifestações culturais e o desenvolvimento regional da Capital Nacional do Vinho.
A partir deste registro, iniciamos uma série especial de reportagens que resgata a presença de alunas e servidoras da instituição na história da Fenavinho ao longo das décadas. Após destacar o sucesso das egressas nesta primeira edição, os próximos capítulos revisitarão a experiência das servidoras Nádia Cini e Andréa Poletto, reforçando a profundidade desta relação entre o IFRS e a Fenavinho.
Fenavinho e Bento Gonçalves: uma relação construída através do tempo
No decorrer de quase seis décadas, a Fenavinho consolidou-se como uma das principais expressões da cultura regional e do desenvolvimento econômico de Bento Gonçalves. Mais do que uma celebração da uva e do vinho, a festa tornou-se um emblema do município e de sua vocação vitivinícola.
Sua primeira edição, realizada entre 25 de fevereiro e 12 de março de 1967, reuniu mais de 100 mil visitantes em um pavilhão construído especialmente para o evento e atraiu personalidades de projeção nacional, como o presidente Humberto de Alencar Castelo Branco e o empresário Assis Chateaubriand. O sucesso da iniciativa projetou Bento Gonçalves para além das fronteiras regionais e impulsionou um processo de crescimento que, com o passar dos anos, transformou a cidade em uma das mais desenvolvidas do país.
Entre os ícones mais marcantes dessa história está o vinho encanado, uma das atrações que ajudaram a tornar a Fenavinho conhecida nacionalmente. Nas primeiras edições, torneiras instaladas no centro da cidade distribuíam vinho gratuitamente aos visitantes, ação que ganhou repercussão na imprensa e contribuiu para consolidar a imagem festiva e acolhedora do evento.
Foram realizadas 15 edições, até 2011, quando a Fenavinho entrou em um período de interrupção de oito anos. O retorno ocorreu em 2019, sob organização do Centro da Indústria, Comércio e Serviços de Bento Gonçalves (CIC-BG), reafirmando a relevância da festa para a cultura, o turismo e a economia regional.
Alana Foresti: da formação acadêmica à realeza da Fenavinho
A Imperatriz do Vinho da 22ª Fenavinho, Alana Foresti, simboliza a união entre conhecimento, cultura local e a vitivinicultura. Enóloga, construiu sua trajetória acadêmica no IFRS – Campus Bento Gonçalves, onde realizou o curso técnico, a graduação e o mestrado. Com isso, tornou-se a primeira egressa do Programa de Mestrado Profissional em Viticultura e Enologia do IFRS a concluir esse percurso formativo completo na instituição.
Sua escolha para integrar a corte também representa a conexão entre a formação profissional e uma das maiores expressões culturais de Bento Gonçalves. Ao assumir o posto de Imperatriz do Vinho, Alana passa a conduzir uma celebração que une a história da vitivinicultura, o trabalho das famílias produtoras e a identidade de uma comunidade construída em torno do vinho.
O processo de escolha das soberanas, iniciado em abril, envolveu sabatina, voto popular e desfiles temáticos. Para Alana, a experiência foi “intensa e extremamente enriquecedora”, exigindo dedicação, preparo e equilíbrio emocional em cada etapa. “Da sabatina, que nos desafiou intelectualmente, ao voto popular, que aproximou ainda mais a comunidade de nós, até os desfiles temáticos, que nos permitiram vivenciar a Fenavinho de forma muito especial”, enfatizou.
Para ela, a jornada ultrapassou a disputa pelo título, tornando-se uma oportunidade de aprendizado, crescimento pessoal e aproximação com a cultura local, a cidade e as pessoas que fazem a festa acontecer.
Além da preparação individual, Alana ressalta a convivência com as demais candidatas como uma das lembranças mais marcantes do concurso. “Foi imensamente gratificante viver esse processo ao lado das outras dez mulheres que participaram dessa jornada comigo. Formamos um grupo maduro e, com certeza, levarei amizades para a vida toda e lembranças que permanecerão na minha memória”, afirmou.
No desfile individual, cada candidata homenageou uma edição da Fenavinho. Alana escolheu a 3ª Fenavinho (1975), marcada pelas comemorações do centenário da imigração italiana. A edição valorizou as comunidades rurais, os agricultores e as famílias que ajudaram a construir a memória coletiva de Bento Gonçalves e da região. “Essa edição representa valores que considero essenciais: trabalho, união, tradição e pertencimento”, declarou.
A escolha também possui um significado afetivo para a Imperatriz, herdeira dessa trajetória. Ela lembra que aquele ano marcou a participação de candidatas das comunidades rurais na escolha da corte e a inauguração da emblemática Pipa Pórtico.
Para Alana, representar a maior festa de Bento Gonçalves como egressa do IFRS possui um significado especial. “Como enóloga, carrego um vínculo técnico e afetivo com o vinho, que é um dos maiores símbolos da nossa identidade cultural. Como ex-aluna do IFRS, voltar agora representando a maior festa de Bento Gonçalves torna tudo ainda mais emocionante, porque sinto que minha trajetória se conecta com tudo aquilo que a Fenavinho simboliza”, ressaltou.
Ao ver sua trajetória se conectar à de outras mulheres ex-alunas do IFRS – Campus Bento Gonçalves, como a Dama de Honra Jéssica Bellé, da 22ª Fenavinho, e a Imperatriz Laura Strozak, das 20ª e 21ª edições da festa, Alana destaca a ideia de continuidade e legado. “Estar ao lado de mulheres tão inspiradoras reforça esse sentimento. É uma honra fazer parte dessa história e contribuir para manter viva uma tradição tão importante para nosso município e para toda a nossa comunidade”, concluiu.
Laura Strozak: um reinado de inspiração, amor à cultura e ao vinho
A Imperatriz Laura Caroline Pouluk Strozak, de 26 anos, egressa do IFRS – Campus Bento Gonçalves, onde cursou o Técnico em Agropecuária e a graduação em Agronomia, encerra um ciclo marcante após estar à frente da Fenavinho nas 20ª e 21ª edições (2025 e 2026). Segundo ela, o convite para permanecer na corte por mais um ano foi um reconhecimento ao trabalho, à dedicação e ao amor com que conduziram a missão de valorizar a maior festa de Bento Gonçalves.
Depois de dois anos de atuação, Laura afirma que a continuidade trouxe uma nova perspectiva sobre os compromissos assumidos. “Na segunda edição, trouxemos mais leveza às agendas e responsabilidades, por conta da bagagem adquirida e dos aprendizados acumulados ao longo do reinado, conciliando o cumprimento das atividades com o aproveitamento de cada momento deste último capítulo”, destacou.
Com uma década ligada ao IFRS, Laura reconhece que a educação oferecida pelo campus foi além da preparação técnica. Para ela, o percurso acadêmico foi fundamental para seu desenvolvimento profissional e para o fortalecimento de habilidades essenciais à atuação como liderança comunitária. “Sempre acreditei na educação como propulsora de grandes conquistas na minha vida e na forma como me desenvolvi e cresci pessoal e profissionalmente. A instituição me formou técnica e engenheira, mas também contribuiu para minha evolução nas relações interpessoais, no espírito comunitário, na liderança e no conhecimento sobre a realidade da nossa cidade e região”, afirmou.
Ela comenta que a proximidade com a vitivinicultura, a agricultura e o setor produtivo regional esteve presente durante sua formação, fortalecendo o desejo de valorizar as pessoas que ajudam a construir a identidade econômica e cultural de Bento Gonçalves.
A passagem pela corte também ficou marcada pela inclusão de Yasmin Barbacovi, primeira integrante surda da realeza da Fenavinho. Para Laura, essa convivência ampliou sua compreensão sobre a relevância da acessibilidade em grandes eventos comunitários. Junto a elas, compôs a corte a Dama de Honra Graziele Miszevski. “A comunicação é um elo fundamental para consolidar uma corte e mantê-la unida, coesa e em harmonia. Eu e Grazi buscamos nos desenvolver para incluir da melhor forma a Yasmin e fazer com que ela se sentisse pertencente e valorizada com esse quarteto que formamos ao lado da intérprete Stephanie”, relatou.
A corte aprendeu Libras com o apoio da intérprete Stephanie Cruzetta para fortalecer a comunicação no cotidiano e ampliar a participação de Yasmin nos momentos oficiais. Segundo Laura, o aprendizado mais significativo foi perceber o alcance que a acessibilidade proporcionou à festa. “O mais bonito é perceber o público que passamos a incluir ao adotar essas práticas em nossos grandes eventos, podendo acolher nossos visitantes de forma mais ampla”, pontuou.
Ao relembrar sua trajetória, Laura conta que o IFRS foi a primeira instituição que desejou levar como entidade representada no concurso de soberanas. Embora o caminho tenha seguido outra direção, encontrou no Sindicato dos Trabalhadores Rurais uma conexão profunda com suas raízes e valores. “Sou uma bento-gonçalvense apaixonada pela minha cidade e pelas minhas raízes. Antes da Fenavinho, vivi dez anos de IFRS e valorizo cada conhecimento adquirido e cada pessoa que encontrei nessa caminhada”, contou.
A relação com o meio rural também carrega um significado familiar. “Minha família paterna vive no interior e tem seu sustento na agricultura. Representar o Sindicato foi uma forma de valorizar essa ligação e entregar o meu melhor para todos aqueles que fazem parte da entidade ou que, de alguma forma, estão ligados a ela”, explicou.
Ao transmitir a coroa à corte da 22ª Fenavinho, Laura celebrou a continuidade do legado construído por mulheres vinculadas ao IFRS. Para ela, ver Alana Foresti e Jéssica Bellé assumindo novos papéis evidencia a força da educação, da dedicação e da representatividade que o campus proporciona. “O mesmo sentimento que carrego pela minha experiência individual com a formação no IFRS acredito que seja compartilhado pelas colegas de instituição que conquistaram esse título e agora trilharão esse caminho como soberanas. Ver mulheres tão bem preparadas para assumir esse compromisso, como Alana, Jéssica e Bianca, deixa nossos corações alegres e preenchidos pela sensação de dever cumprido”, concluiu.
Jéssica Bellé: reconhecimento popular e a excelência técnica no campo
Recém-graduada em Agronomia pelo IFRS – Campus Bento Gonçalves, Jéssica Bellé, integra a corte da 22ª Fenavinho após um percurso marcado por uma conexão profunda com a população. Durante o concurso, ela consolidou sua representatividade ao ser a candidata mais votada pelo público e contar com a torcida eleita como a melhor desta edição, refletindo o forte engajamento da comunidade que apoiou seu pleito.
Essa mobilização, que Jéssica descreve como espontânea, uniu familiares, amigos, moradores do Vale Buratti e colegas da Cooperativa Vinícola Aurora. “Ver tantas pessoas dedicando seu tempo para torcer, votar e demonstrar seu apoio foi algo que me tocou profundamente. Fiquei muito emocionada ao perceber o quanto sou querida e acolhida”, relata a Dama de Honra. Em sua primeira declaração após a eleição, ela resumiu o sentimento de realização: “Nem nos meus melhores sonhos eu imaginava isso. Que essa missão seja com muito amor, com muito acolhimento e com muito sorriso no rosto”.
A excelência técnica da formação acadêmica foi o diferencial para Jéssica enfrentar os desafios intelectuais do certame, especialmente a sabatina. Como viticultora, ela uniu a vivência prática diária aos conhecimentos sobre o setor agropecuário regional para abordar com segurança a história de Bento Gonçalves e o desenvolvimento vitivinícola. Para ela, o ensino recebido no Campus permitiu o tratamento de temas complexos com propriedade, demonstrando o orgulho de ser egressa de uma casa que valoriza a excelência no ensino e forma profissionais comprometidos com o fortalecimento da região.
A presença de Jéssica na realeza reforça o histórico de liderança feminina formado no campus. Ao lado da Imperatriz Alana Foresti e sucedendo a gestão de Laura Strozak — sua veterana de curso, por quem nutre profunda admiração —, Jéssica vê na nova corte a continuidade de uma caminhada de mulheres que compartilham valores e vivências acadêmicas. “Saber que temos essa conexão por meio do IFRS torna esse momento ainda mais especial”, afirma.
Com o olhar voltado para o marco dos 60 anos da Fenavinho em 2027, Jéssica projeta uma atuação pautada pela proximidade e pelo espírito acolhedor da cidade. Sua meta é ser uma “ponte entre a população e o evento”, valorizando o trabalho das famílias produtoras, preservando as raízes culturais e engajando as novas gerações na valorização da identidade e do orgulho pelas origens de Bento Gonçalves.
Perspectiva institucional: rumo aos 60 anos da Fenavinho
O Diretor-Geral do Campus Bento Gonçalves, Rodrigo Monteiro, destaca que a participação de egressas do IFRS na realeza da Fenavinho reforça o papel da instituição na construção da identidade cultural, social e econômica da região. Para ele, esses percursos demonstram a atuação do IFRS para além da sala de aula, ampliando sua presença em espaços de liderança, representação e protagonismo comunitário.
Com a nova corte formada por ex-alunas da casa, o campus projeta sua participação nas comemorações dos 60 anos do evento. A direção já articula um conjunto de ações especiais, com iniciativas de extensão e ações institucionais voltadas ao fortalecimento da tradição, da inovação e dos caminhos futuros da vitivinicultura.
Na sequência desta série especial, o foco se voltará ao resgate histórico das servidoras do IFRS Nádia Cini e Andréa Poletto, que também integraram a realeza da Fenavinho em diferentes momentos. Suas trajetórias ajudam a compreender como diferentes gerações de estudantes e servidoras contribuíram para fortalecer os vínculos entre o IFRS e a Fenavinho, uma relação que atravessa décadas e segue renovando seu protagonismo na cultura de Bento Gonçalves.
Veja imagens da escolha da Corte da 22ª Fenavinho
Soberanas:
Imperatriz: Alana Foresti
Damas de Honra: Jéssica Bellé e Bianca Moraes Dall Agnol
Confira imagens da Realeza da 20ª e 21ª Fenavinho
Soberanas:
Imperatriz: Laura Caroline Pouluk Strozak
Damas de Honra: Yasmin Luiza De Lima Barbacovi e Graziele Miszevski
Imagens: Cesar Silvestro
Apoio: Bárbara Salvatti (Exata Comunicação)










