Projetos
Bolsista de projeto premiada como destaque no Salão da UFRGS Jovem
Na sexta-feira, 23 de outubro, a partir das 10h, no Salão de Atos da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), o projeto Literatura brasileira contemporânea e ecocrítica: decolonizando o cânone, recebe premiação como trabalho destaque no Salão UFRGS Jovem.
A autora de O imaginário indígena entre o cânone e a IA: uma leitura ecocrítica e decolonial da literatura brasileira é Luísa Alemida Lutkemeier, estudante do 2º ano do curso de administração do Campus Canoas e bolsista do projeto coordenado pela professora Cimara Valim de Melo.
A ação está vinculada ao Edital Proppi nº 29/2025 – Mulheres e meninas na ciência, que teve como objetivo selecionar projetos de pesquisa e inovação para serem desenvolvidos no IFRS sob coordenação de servidoras mães, possibilitando sua participação e produção científica. Além disso, buscou incentivar meninas e mulheres no âmbito das atividades de pesquisa científica e tecnológica, contribuindo para a permanência e êxito no IFRS, promovendo uma estreita aproximação integrada do ensino, da pesquisa e da extensão com as demandas da sociedade.
∴ Acompanhe o resumo do trabalho enviado ao Salão da UFRGS por Luísa Alemida Lutkemeier – O imaginário indígena entre o cânone e a IA: uma leitura ecocrítica e decolonial da literatura brasileira
A representação dos povos indígenas no cânone literário brasileiro foi historicamente construída a partir de uma perspectiva colonial que, sob a ideologia da formação de uma identidade nacional, buscou homogeneizar a diversidade do território e dos povos originários. Diante desse contexto, o presente trabalho parte da necessidade de problematizar essas representações, a fim de contribuir para uma revisão ecocrítica e decolonial de obras até hoje consagradas como clássicos da literatura nacional. O estudo tem como objetivo analisar o imaginário indígena presente nos romances Iracema e O Guarani, de José de Alencar, contrastando-o com a produção contemporânea de autoria indígena, que inclui Ailton Krenak, Kaká Werá, Daniel Munduruku, Eliane Potiguara, Graça Graúna e Auritha Tabajara. A pesquisa bibliográfica fundamentou-se nos pressupostos da ecocrítica, da perspectiva decolonial e do ecofeminismo, adotando uma abordagem qualitativa. A coleta de dados contou com a extração de fragmentos descritivos das personagens Iracema e Peri, além da contextualização trazida por Alencar em relação a grupos indígenas representados nas obras, a saber: Tabajara, Potiguara, Guarani, Goitacá e Aimoré. A análise comparativa confrontou os dados coletados com o pensamento indígena contemporâneo; também utilizou recursos de Inteligência Artificial (IA) para a reconstituição imagética de personagens da obra alencariana e de suas diferenças com visões da literatura indígena contemporânea. Os resultados parciais indicam que as narrativas canônicas reforçam mecanismos de invisibilização e subalternização dos povos originários sob uma matriz colonial, enquanto a produção indígena contemporânea se constitui como potente contranarrativa, a reivindicar a pluralidade de saberes pelo viés decolonial. Espera-se, assim, contribuir para a ampliação do debate ecocrítico, bem como promover conjuntamente a releitura crítica do cânone literário brasileiro e a inovação no ensino de literatura, gerando modos outros de pensar a historiografia literária na contemporaneidade.
