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Conexões Ecológicas debate agroecologia e crises climática alimentar e territorial no IFRS Campus Viamão


O Campus Viamão do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Rio Grande do Sul (IFRS) sediou, nos dias 6 e 7 de outubro, a terceira edição do Conexões Ecológicas. Com o tema “Agroecologia frente às crises climática, alimentar e territorial”, o evento teve palestras, mesas-redondas e Espaços de Diálogos e Práticas (EDPs) sobre agroecologia, segurança alimentar e nutricional e educação ambiental. A programação também contou com a Multifeira de Economia Solidária, a Feira Orgânica e Colonial e um espaço do Programa EcoViamão.

Realizada pela Pró-reitoria de Ensino do IFRS, a iniciativa promoveu o compartilhamento de práticas, experiências e reflexões e integrou as ações da Política de Agroecologia, Segurança Alimentar e Nutricional e Educação Ambiental (PIAS) da instituição.

Abertura e apresentação cultural

A cerimônia de abertura, no auditório do Campus, teve uma apresentação cultural do artista marfinense Loua Pacôm Oulaï. Percussionista, ator e contador de histórias, ele atua em projetos culturais vinculados ao IFRS.

Compuseram a mesa o pró-reitor de Ensino, Fábio Marçal; a pró-reitora de Pesquisa, Pós-graduação e Inovação, Flávia Twardowski; a diretora-geral do Campus Viamão, Maíra Baé Vieira; o chefe do IFRS TecnoParque, Nilson Rübenich; e o diretor de Assuntos Estudantis da Pró-reitoria de Ensino, Neudy Alexandro Demichei, representante da comissão organizadora. A condução ficou a cargo da servidora Victória Cristina de Souza Moura.

Também participaram do evento o pró-reitor de Desenvolvimento Institucional do IFRS, Lucas Coradini; o coordenador do Programa EcoViamão, Alexsander Ferreira; e servidores do Campus Viamão, de outros campi e da Reitoria.


Agroecologia e desafios dos territórios

A palestra de abertura, “As catástrofes ambientais e climáticas e a inteligência social do lugar”, foi ministrada pelo geólogo e professor titular da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), Rualdo Menegat, com mediação do coordenador do curso de pós-graduação lato sensu em Agroecologia do Campus Viamão, professor Claudio Fioreze. Mestre em geociências e doutor em ecologia de paisagem, Menegat é coordenador-geral do Atlas Ambiental de Porto Alegre.


No segundo dia, a mesa-redonda “Agroecologia e desafios do território” teve a participação da liderança quilombola e artesã do Quilombo da Anastácia, em Viamão, Berenice Gomes de Deus, conhecida como Dona Berê; e da agricultora orgânica e vice-presidente da Cooperativa dos Trabalhadores Assentados da Região de Porto Alegre (Cootap), Seleni Lima.

Berenice atua na valorização da memória e dos saberes da comunidade quilombola, com produção artesanal ligada à sua história e cultura. Seleni atua na agricultura orgânica há 20 anos e é assentada no Assentamento Filhos de Sepé. A mediação foi realizada por Milena Silvester Quadros.

À tarde, a gerente de Planejamento Estratégico de Programas, Credenciamento e Formação da Agência Nacional de Assistência Técnica e Extensão Rural (Anater), Isabel Cristina Lourenço da Silva, participou da mesa “O papel do Estado e das políticas públicas no enfrentamento à crise climática, alimentar e territorial”, mediada pelo professor Claudio Fioreze. Isabel é engenheira agrônoma, mestre em extensão rural e doutora em agronomia.


Trocas de experiências e formação

Os Espaços de Diálogos e Práticas ocorreram nos dois dias, com apresentação de trabalhos e compartilhamento de experiências sobre agricultura urbana, sistemas alimentares, educação ambiental, agricultura familiar, comunidades tradicionais e prevenção de enchentes. Entre os temas estiveram os dez anos do Programa EcoViamão, a implantação de uma estufa agrícola no sistema agroflorestal do Campus e o redesenho da matriz produtiva agroecológica do Assentamento Filhos de Sepé.


Fioreze avaliou que um dos principais resultados do encontro foi aproximar representantes da academia e das políticas públicas de pessoas que atuam cotidianamente nos territórios. “A gente conseguiu trazer aqui atores institucionais ligados à academia e a políticas públicas, mas também atores socioambientais do território que estão lá na ponta, no dia a dia.” Para o professor, “esse diálogo, essa interlocução, essa confrontação entre realidade prática e teoria foi muito importante”.

Ele também destacou a oportunidade de estudantes envolvidos em projetos de ensino, pesquisa e extensão de base agroecológica trocarem experiências e conhecerem iniciativas de outros campi, de outros estados e de fora da academia. “Isso é muito enriquecedor, é único. Então acho que esse é o grande saldo que fica.” Fioreze defendeu ainda a realização anual do Conexões Ecológicas, com alternância entre os campi, as regiões e os territórios.

A egressa do Campus Viamão e ex-bolsista do EcoViamão, Ana Carolina Silveira Martins, apresentou o trabalho “Do canteiro à cidadania: uma vivência agroecológica na escola” em um dos Espaços de Diálogos e Práticas. Para ela, a participação e a troca de experiências com colegas despertaram o sentimento de “esperançar”, associado ao pensamento de Paulo Freire. “Constatar a existência de projetos lindos, muito bem construídos e com aplicação no território, que contribuem para a construção do pensamento crítico, respeitoso e de resistências, é muito gratificante e grandioso!”, relatou.

Dez anos do EcoViamão

A trajetória do EcoViamão também foi apresentada no estande “Da Semente ao Prato”, com iniciativas desenvolvidas ao longo de seus dez anos de atuação, como as hortas agroecológicas em escolas, as cozinhas sustentáveis e a parceria com o Assentamento Filhos de Sepé. O espaço mostrou ainda ações de fornecimento de insumos às escolas, apoio de bolsistas e disponibilização de equipamentos para as atividades.

Voltado à implantação e à gestão democrática de projetos e atividades agroecológicas de ensino, pesquisa, extensão e inovação, o EcoViamão já contou com a participação de mais de 200 bolsistas. A atuação do programa contribui para a formação de estudantes e para a articulação entre essas áreas.


Economia solidária e iniciativas estudantis

Durante os dois dias do evento, ocorreu a Multifeira de Economia Solidária do Campus Viamão, espaço de exposição e comercialização de produtos que aproxima a comunidade interna e externa e articula saberes acadêmicos e populares. A iniciativa busca valorizar a produção local, fortalecer empreendimentos solidários e incentivar a geração de trabalho e renda, a cooperação e a sustentabilidade socioambiental.

A ação integra o projeto de extensão “Geração de Trabalho e Renda por meio da Multifeira de Economia Solidária do IFRS Campus Viamão”, coordenado pela professora Josiane Roberta Krebs e vinculado às atividades da Incubadora Tecnológica de Empreendimentos Solidários e Sustentáveis de Viamão (ITESS), com apoio do Programa EcoViamão.

Além dos empreendimentos econômicos solidários vinculados ao projeto, participaram a Florence e a EBA, criadas por estudantes do curso Técnico em Administração Integrado ao Ensino Médio no componente curricular Projeto Integrador. As iniciativas têm como princípios a sustentabilidade, o comércio justo, o consumo consciente e a produção artesanal, em diálogo com o componente Cooperativismo e Economia Solidária.


Ao compartilhar o espaço com empreendimentos da comunidade, os estudantes participaram de uma vivência de curricularização da extensão no Ensino Médio Integrado. A EBA também preparou produtos personalizados especialmente para o evento, disponibilizados por encomenda. No dia 7 de outubro, a programação contou ainda com a Feira Orgânica e Colonial.

Para a coordenadora do projeto da Multifeira, professora Josiane Roberta Krebs, o Conexões Ecológicas foi “um espaço importante de encontro, escuta e partilha entre estudantes, trabalhadores e trabalhadoras, comunidades e instituições”. Segundo ela, a aproximação entre saberes populares e acadêmicos permitiu reconhecer experiências construídas nos territórios e refletir coletivamente sobre os desafios enfrentados.

“Na perspectiva da educação popular, esse diálogo contribui para uma formação comprometida com a realidade e com os sujeitos que a constroem, fortalecendo a construção de alternativas para enfrentar as desigualdades sociais e cuidar da vida em suas diferentes formas”, afirmou Josiane.

Organização e política institucional

A comissão organizadora do Conexões Ecológicas foi composta por Adriana Regina Corrent, Camila Veronese, Claudio Fioreze, Denise Olkoski, Josiane Roberta Krebs, Milena Silvester Quadros e Neudy Alexandro Demichei.

Aprovada em outubro de 2019, a PIAS busca ampliar ações como a priorização de alimentos orgânicos na alimentação escolar, a pesquisa e o desenvolvimento tecnológico em agroecologia e a aquisição de alimentos da agricultura familiar.

 

Crédito das fotos: Alessandra Aragon Nevado e Maria Vitória de Mello Rodrigues/Comunicação IFRS Campus Viamão

 

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