Campus Viamão
Trajetória de egresso no IFRS Campus Viamão reforça importância da inclusão e da permanência estudantil
O Campus Viamão do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Rio Grande do Sul (IFRS) realizou, em março de 2026, a cerimônia de certificação de Gustavo Vaz de Azevedo, de 22 anos, no curso Técnico Subsequente ao Ensino Médio em Administração. Durante a formação, Gustavo participou de atividades acadêmicas, desenvolveu pesquisas na área da Administração e ampliou sua autonomia no ambiente educacional e profissional. Gustavo, que tem síndrome de Down, concluiu o curso após trajetória marcada pela participação nas atividades do campus e pelo acompanhamento institucional voltado à permanência estudantil.
Ao recordar o período em que estudou no campus, Gustavo destaca a relação construída com colegas e servidores. “Eu gostei muito de estudar no campus, das atividades e das matérias.” Sobre a convivência em sala de aula, acrescenta: “Eu me dei muito bem com os colegas. Eles me ajudavam nos trabalhos.”
No Trabalho de Conclusão de Curso (TCC), Gustavo pesquisou a inserção de pessoas com deficiência intelectual no mercado de trabalho. Sobre a passagem pelo IFRS, resume: “Foi uma experiência incrível”.
Atualmente, atua no setor de imagem de um hospital, desempenhando atividades administrativas. “Eu faço digitação no computador e ajudo a organizar os documentos”, relata.
A certificação teve significado especial para o egresso. “É a primeira vez que eu me formo em um curso.” Ao lembrar da cerimônia, Gustavo completa: “Foi legal. Eu fiquei feliz”.
Gustavo também identifica mudanças relacionadas ao amadurecimento e à responsabilidade durante o período em que esteve no campus.
A professora Camila Vieira Müller acompanhou o processo de formação acadêmica de Gustavo e destaca sua participação nas atividades desenvolvidas ao longo do curso. Para ela, Gustavo foi “um aluno inteligente, participativo, sempre com alguma contribuição relevante para as aulas”.
Segundo a docente, o trabalho pedagógico envolveu diferentes estratégias metodológicas e formas de avaliação. “Fiz algumas adaptações, priorizando atividades em grupo e que estimulassem a criatividade na apreensão do conteúdo, diversificando também as formas de avaliação em sala de aula.” Na avaliação de Camila, essas práticas contribuíram para o desenvolvimento coletivo da turma. “Assumi isso como premissa para todos, a turma o acolheu e conseguimos resultados muito positivos.”
A professora Josiane Krebs também acompanhou Gustavo durante a formação e ressalta a relevância acadêmica do tema desenvolvido no TCC. “Seu TCC, ao abordar a inclusão no mundo do trabalho, contribui de forma relevante para o campo da Administração”, declara.
Segundo ela, as discussões propostas por Gustavo ao longo do curso também contribuíram para ampliar debates em sala de aula. “A partir do seu lugar de fala, trouxe reflexões que mobilizaram a turma.”
Durante a formação, Gustavo contou com acompanhamento do Núcleo de Atendimento às Pessoas com Necessidades Educacionais Específicas (Napne), responsável por mediar ações de educação inclusiva no campus, incentivar a permanência estudantil e atuar na eliminação de barreiras pedagógicas, comunicacionais e atitudinais.
Para Maria de Fátima Nora Lopes, assistente de alunos e ex-coordenadora do núcleo, o acompanhamento institucional esteve voltado à construção de condições de acesso e permanência ao longo da trajetória acadêmica de Gustavo. “O Napne esteve presente na mediação com os professores e na adaptação de materiais, oferecendo suporte quando necessário, mas respeitando o espaço de crescimento dele.”
Ao falar sobre o percurso acadêmico de Gustavo, Maria de Fátima considera significativo o desenvolvimento da autonomia nas atividades realizadas ao longo do curso. “Ver seu desenvolvimento em sala de aula e sua independência nas atividades acadêmicas foi muito significativo.”
O egresso Paulo Daniel Tavares Rhoden, colega de turma de Gustavo, relembra a convivência durante o curso e a participação dele nas atividades coletivas. “Convivendo e entendendo sua realidade e sua forma de agir, foi possível construir uma relação muito positiva durante o curso”, relata.
Segundo Paulo, Gustavo mantinha postura colaborativa nos trabalhos em grupo. “Ele sempre estava disposto a trabalhar em prol do grupo e do conhecimento.”
A família também acompanhou de perto a trajetória acadêmica de Gustavo. O pai dele, José Carlos Azevedo, destaca o diálogo mantido com a instituição ao longo do curso. “A gente acompanhou todo o caminho e trabalhou junto com o campus para encontrar as melhores formas de aprendizagem.”
Segundo José Carlos, a parceria com os professores e as estratégias desenvolvidas durante a formação contribuíram para o desempenho acadêmico de Gustavo. “Ele não ficou em recuperação em nenhuma disciplina e teve um desempenho acima da média durante o curso.”
Na avaliação da psicopedagoga Carina Silva, a trajetória de Gustavo evidencia a importância das políticas institucionais voltadas à inclusão e à permanência estudantil. “A trajetória reafirma o propósito de nossa instituição”, pontua.
Ao comentar a convivência no campus, Carina destaca aspectos observados ao longo da formação. “Sua presença deixou marcas positivas na comunidade acadêmica ao longo do curso.”
A diretora-geral do IFRS Campus Viamão, Maíra Baé Baladão Vieira, avalia que a conclusão do curso reforça a importância das políticas públicas voltadas ao acesso e à permanência na educação pública. “O Gustavo procurou a instituição para ampliar seus conhecimentos no curso Técnico em Administração e muito nos honra a confiança depositada por ele e sua família no IFRS Campus Viamão.”
Segundo Maíra, os Institutos Federais têm papel importante na construção de condições efetivas de participação para estudantes com diferentes necessidades específicas. “Somos parte de uma política pública nacional que atua para que pessoas com diferentes deficiências e necessidades específicas tenham condições efetivas para participar plenamente dos espaços da sociedade, com acesso a uma educação pública, gratuita e de qualidade”, conclui.











