Extensão
Combate à misoginia marcam os debates da 9ª edição do projeto IFMUNdi
Mais de 60 estudantes do ensino médio da região do litoral norte participaram da primeira atividade de 2026 dos projetos IFMUNdi: Promovendo Debates e Produzindo Conhecimento, de Ensino, e IFMUNdi de Portas Abertas, de Extensão. O grupo teve o desafio simular, nos dias 2 e 3 de junho, uma sessão da Câmara dos Deputados que previa a construção de um projeto de lei para traçar políticas de combate a um crime alarmante: o ódio e a violência contra as mulheres.
Com o tema “Políticas Públicas e Mecanismos Institucionais de Combate à Misoginia”, o evento realizado no auditório do Campus Osório do IFRS possibilitou aos participantes assumirem o papel de parlamentares ou de integrantes de agências de comunicação. Eles atuaram defendendo posicionamentos de diferentes partidos políticos, no caso dos deputados, ou fazendo a ampla cobertura como jornalistas de rádio, televisão e portais de notícias, inclusive com boletins em tempo real.
O papel da mesa diretora foi assumido pela equipe de secretariado do IFMUNdi, composta por estudantes bolsistas de ensino e extensão, que mediou os debates e garantiu o cumprimento das regras da simulação. Além dos estudantes inscritos na simulação, participaram da atividade duas turmas do ensino médio integrado, como parte das aulas de sociologia.
Ao longo da simulação, outros estudantes representaram diferentes grupos mobilizados em movimentos sociais no enfrentamento à misoginia, entre eles jovens negros, periféricos, do campo, com deficiência, LGBTQIA+, mães, trabalhadoras e integrantes do movimento estudantil. Eles organizaram protestos para sensibilizar o plenário para suas pautas, com produção de cartazes e panfletos, elaboração de um manifesto, entrevistas à imprensa simulada e a participação em questionamentos realizados pelos parlamentares.
A edição deste ano contou também com a parceria do projeto Teatro no Ato, com intervenções artísticas que ampliaram as reflexões sobre os impactos da misoginia na sociedade, evidenciando o potencial do diálogo entre arte, educação e cidadania.
Segundo a professora Roberta dos Reis Neuhold, coordenadora do IFMUNdi, a atividade permite aos estudantes refletir sobre as formas de participação política da sociedade civil e sobre os desafios enfrentados por diferentes grupos sociais na defesa de seus direitos. “A intenção é aproximá-los dos processos políticos e sociais, mostrando que há diferentes posicionamentos, interesses e espectros ideológicos, sem abrir mão das regras do jogo democrático e do respeito aos direitos humanos. O desafio é compreender um problema social tão avassalador como a misoginia e, ao mesmo tempo, refletir sobre alternativas para seu enfrentamento e para a promoção da justiça social”, explica a docente.
Para João Miguel Duarte Gomes, do Técnico em Administração, a experiência se destaca pelo realismo e repertório: “A precisão na simulação da Câmara brasileira, assim como nos debates dos anos anteriores, me ajudaram a entender melhor diferentes pontos de vista e contribuíram para ampliar minha capacidade de argumentação”.
O estudante Eduardo Petri Johann, do Técnico em Informática, confirma o aprendizado gerado no aprofundamento dos conhecimentos para defender os posicionamentos de quem representa e ao analisar os argumentos apresentados pelos colegas.
Júlia Ancelmo, do curso de Administração, ressalta o impacto da atividade para além dos debates. “O que mais me encanta nas edições do IFMUNdi é que laços e relações de amizade se perpetuam. As discussões também contribuem para nosso desenvolvimento e aprendizado, tanto no ambiente escolar como em sociedade”.
Preparação para os debates
A simulação é antecedida por aulas e oficinas. Nas semanas anteriores ao evento, foram promovidas atividades específicas para a formação das agências de comunicação,
para o estudo das regras da simulação e para a discussão dos conteúdos abordados. As oficinas, conduzidas pelos estudantes bolsistas, trataram de temas como negociação política, produção jornalística, funcionamento da Câmara dos Deputados e marcos históricos relacionados ao enfrentamento da misoginia.
Os participantes inscritos também receberam guias de estudos e das regras da simulação e uma carta com os posicionamentos historicamente assumidos pelos partidos políticos representados.
A edição de 2026 é coordenada pela professora de sociologia Roberta dos Reis Neuhold e conta com um secretariado formado pelos bolsistas do ensino médio Altemar Brandão Filho, Ana Clara Ferreira Berneira, Rafaela de Quadros Wendel e Arthur Rorato Andreatta.
Sobre o IFMUNdi
Em sua nona edição, o IFMUNdi reafirma seu compromisso com a formação cidadã, o desenvolvimento da argumentação, o exercício da escuta e a compreensão dos processos democráticos, incentivando estudantes a refletirem sobre questões contemporâneas e a construírem coletivamente propostas para os desafios da sociedade.
O projeto promove duas simulações por ano, inspiradas no Modelo das Nações Unidas (MUN). O objetivo central é proporcionar um espaço de aprendizado prático, em que as pessoas assumam o papel de diplomatas, parlamentares e jornalistas para debater e documentar temas de relevância local e global, na defesa dos direitos humanos e da democracia.
A próxima edição, prevista para novembro, será o fórum global da ONU. Os participantes das simulações recebem certificação que pode somar até 20 horas. Para participar acompanhe as publicações do projeto no @ifmundi, no Instagram. Também é possível se preparar para simulações em curso on-line e gratuito disponível em moodle.ifrs.edu.br.



