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Conhecendo o projeto Hortas Urbanas na Periferia de Porto Alegre com William Thiago Baptista


De estudante para estudante: confira a terceira entrevista da série que tem publicações semanais

 

Por Francisco Braga, Giovana Augustin e Kalana La Porta

 

William era um menino que sonhava em ser militar, tinha como inspiração o pai e o irmão mais velho. Quando completou 18 anos, entrou para o Exército, mas após 3, 4 anos ali, recebeu uma proposta de emprego e aceitou na tentativa de ficar mais próximo da família. Então começou a trabalhar como supervisor na segurança da infra aérea. No seu primeiro contato com o Instituto Federal da Restinga, começou a aprender mais sobre a agroecologia e foi assim que se apaixonou pelo projeto.

Fale um pouco sobre você, nome, idade, curso que participou dentro do IF.

Me chamo William, tenho 38 anos e estou no IF desde 2019. Fui bolsista de extensão e em seguida assumi a monitoria dos projetos de bolsistas, participei de diversas atividades aqui dentro do campus como monitor de projetos de extensão, também fazendo acompanhamento nas escolas.

E quem foi o seu orientador neste projeto?

Meu orientador foi o professor Jovani Zalamena que era o coordenador na época, ele que fez esse acompanhamento na área  de conhecimento do projeto. No projeto Hortas Urbanas na Periferia de Porto Alegre, nós visitávamos as escolas para que os estudantes tivessem acesso a esse projeto e implantávamos esses recursos nas escolas para que os pequenos pudessem ir acompanhando o processo de cuidar do plantio e manter até a colheita. Acompanhar isso foi extremamente bacana!

Como você descobriu o IF e como e o que te fez ingressar nele?

Eu descobri através de uma placa, um cartaz, que tinha na rua onde dizia “IF Restinga, venha conhecer o nosso campus”. Como na época eu tinha só o fundamental completo eu tinha interesse em cursar o ensino médio e fazer um curso técnico ou superior. Visitei a escola e nisso vi que estava dentro do prazo, fiz minha inscrição e logo depois já ingressei. A agroecologia eu conheci aqui, não conhecia o termo ainda, mas eu já praticava sem saber o que era, porque meu pai e minha mãe são do interior. Então, em casa, a gente tem uma horta bem grande e sempre praticamos isso, mas sem eu saber o fundamento e o nome. Hoje eu sei e consigo unir a prática com o conhecimento técnico adquirido aqui, é bem legal. 

Como soube da bolsa e o que o motivou a participar? 

Eu soube pelos  professores, principalmente pelo professor Jovani que era o coordenador. Ele divulgou passando nas salas de aula e orientando para que quem tivesse interesse fizesse a inscrição e que, após a inscrição, teria um processo de seleção, entrevistas e os selecionados entrariam. 

Que conhecimentos você adquiriu participando do projeto? Você acha que vai levar algum para a sua vida?

Muitos cuidados que eu não tinha como o preparo do solo, cuidado com as plantas e alguns cuidados na poda. Eu praticava sem saber o conhecimento técnico, hoje já consigo distinguir, fazer as podas no tempo certo, consigo fazer o manejo do solo e  prepará-lo para possa fazer a inserção de alguma planta ou transplante. Esse projeto me trouxe esses conhecimentos.

Quais são os seus planos para o futuro? Eles se relacionam de alguma maneira com a sua trajetória no IF ou no projeto ao qual esteve vinculado?

Sim, com certeza, inclusive está sendo criado um laboratório da agroecologia, ao lado do observatório. O plano de verticalização do curso é ser superior, então eu me formo (já era para eu estar formado, mas com a função da pandemia não pude) agora no segundo semestre de 2023. Depois da formatura eu já quero ingressar no superior da área para continuar na agroecologia, isso não está bem definido ainda, mas vai ser algo lincado. 

Tem alguma experiência que vivenciou que foi marcante durante a sua trajetória na instituição? 

Sim, as visitas de campo (são as visitas técnicas que fazemos). Visitamos um assentamento que é do MST. Eles ocupam o espaço para poder produzir uma infinidade de coisas, como hortas agroecológicas com todos os conceitos da agroecologia. Ali me abriu um leque, uma visão bem diferente do que é a agroecologia. Nós estudamos, fazemos os projetos no Instituto e fizemos algumas visitas, mas lá tive a visão ampla do que seria a agroecologia. 

Você participou de mais projetos como esse ou ainda fez algo relacionado ao projeto que participou?

Sim, participei, esses projetos que fazíamos e executávamos aqui dentro também eram praticados como multimeios. A escola aqui em cima (Nossa Senhora do Carmo), o Cras e em muitos outros lugares que são paralelos ao IF. Nós executamos os trabalhos no campus e também fora com a ideia de não ficar na nossa zona de conforto e praticar os trabalhos juntamente com as crianças das escolas. Eu gostei muito dessa experiência, porque ali tu vê o empenho deles, tu vê o acompanhamento, tu vê a alegria deles na hora de levar para a casa. Às vezes eles acabam dando continuidade em casa, pedindo para o pai ou para  a mãe, é gratificante saber que tu levou aquilo para aquela família, além de um conhecimento, um alimento de qualidade. 

Uma última pergunta, nessa bolsa que você participou foi só tu como integrante ou teve mais pessoas?

Geralmente em todos os projetos eram cinco pessoas ocupando o projeto em si e os atendimentos. A gente sempre procurava se dividir para que não ficasse nem o IF descoberto, muito menos os locais aonde a gente prestava assistência, então,  normalmente ficava um pessoal no Instituto e os outros iam para as visitas nas escolas. Nós tínhamos um cronograma para um dia uma equipe estar fora e a outra no IF (as equipes eram revezadas), para que assim não ficasse nenhuma área sem supervisão.

O que você acha que os estudantes do Instituto Federal devem esperar do IF em si? Dos projetos, das bolsas, inclusive da que você participou.

Olha eles devem esperar o que eu espero, sempre a qualidade que nos é passada, o empenho em nos fornecer o conteúdo, essa infraestrutura do IF. Tudo, tudo mesmo. A Márcia (psicóloga), a qualidade que os professores transmitem, a parte dos lanches que são distribuídos, a parte de acolhimento toda é uma maravilha.

Tem alguma dica para os futuros ingressantes do IF Restinga?

Sim. Que eles se dediquem, que busquem entrar aqui porque tem muita qualidade de  ensino, os professores são realmente dedicados e preocupados com os alunos. Os professores realmente tem esse interesse em nos formar e nos dar qualidade de ensino.

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