Geral
Palestra promove reflexão sobre violência contra a mulher
O Campus Ibirubá recebeu, durante o mês de março, a palestra “Tinha que ser uma mulher (e ainda bem)”, conduzida por Karina Doninelli, coordenadora da Coordenadoria da Mulher do município de Ibirubá. A atividade integrou a programação especial do Mês da Mulher e foi organizada pelo Núcleo de Estudos e Pesquisas em Gênero e Sexualidade (NEPGS) do Campus, em parceria com o coletivo BitRosa.
A iniciativa surgiu da necessidade de ampliar o alcance das ações para o público do turno noturno. Ao longo de todo o mês de março foram realizadas atividades voltadas para a valorização das mulheres. Professores abordaram a temática em sala de aula, e foi inaugurado o Banco Vermelho, símbolo de conscientização sobre a violência de gênero.
Uma fala direta que mobilizou o público
A palestra reuniu estudantes de diferentes cursos de graduação e técnico subsequente, abrangendo diversas faixas etárias. Segundo a coordenadora do NEPGS, Andressa Schons, o impacto foi imediato. O auditório permaneceu em silêncio durante grande parte da apresentação, sinal de atenção e reflexão diante dos temas abordados.
Karina iniciou sua fala explicando conceitos como patriarcado e machismo estrutural. Em seguida, detalhou diferentes formas de violência contra a mulher, como a violência física, patrimonial e psicológica, sempre trazendo exemplos práticos para aproximar o tema da realidade do público.
A abordagem seguiu com dados sobre feminicídio e um panorama histórico dos direitos das mulheres no Brasil. A palestrante destacou marcos importantes, como o acesso ao estudo, o direito ao divórcio e a criação da Lei Maria da Penha. Também contextualizou a participação feminina na Constituição, com a chamada “bancada do batom”, que garantiu avanços na representação das mulheres.
Um dos pontos centrais da palestra foi a análise dos impactos do machismo não apenas sobre as mulheres, mas também sobre os homens. Karina apresentou dados que indicam altos índices de adoecimento masculino, incluindo casos de suicídio e violência.
A explicação, segundo ela, está na forma como a sociedade estrutura papéis de gênero. A sociedade frequentemente incentiva os homens a reprimir emoções, o que dificulta o reconhecimento e a gestão de sentimentos como tristeza e frustração. Esse processo pode resultar em comportamentos agressivos ou em sofrimento silencioso.
A palestrante também promoveu momentos de interação com o público. Em uma das dinâmicas, convidou os participantes a pensarem em mulheres importantes em suas vidas e, em seguida, refletirem sobre a possibilidade de que essas pessoas fossem vítimas de violência. A proposta buscou dar rosto aos números e tornar o problema mais concreto.
Segundo Andressa, a palestrante “foi muito direta e muito fácil de se entender, então acertou o que a gente queria propor”.
