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Mercantilização da Educação Superior e PEI pautam terceiro dia da Jornada Pedagógica
O terceiro dia da Jornada Pedagógica do Campus Ibirubá foi marcado por reflexões críticas sobre o cenário da educação superior no Brasil e por orientações práticas voltadas à inclusão na Educação Profissional e Tecnológica. A programação reuniu análise de dados, debate institucional e atividade aplicada, reforçando o compromisso do campus com a qualidade do ensino.
Mercantilização da educação superior em debate
A manhã iniciou com palestra do professor Dr. Olmiro Critiano Lara Schaeffer, da Universidade de Passo Fundo, que apresentou dados e análises sobre a mercantilização da educação superior no Brasil. O docente contextualizou o público ao explicar que o país conta com quatro tipos de universidades: públicas, privadas com fins lucrativos, privadas sem fins lucrativos e comunitárias.
Entre as públicas, destacou instituições como a Universidade Federal do Rio Grande do Sul, financiadas pelo poder público e voltadas à formação acadêmica, científica e social. No grupo das privadas com fins lucrativos, citou diversas organizações estruturadas sob lógica empresarial. Já as privadas sem fins lucrativos e comunitárias incluem instituições como a Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul e a Universidade de Passo Fundo, que podem assumir caráter confessional ou fundacional.
O foco da palestra concentrou-se nas universidades com fins lucrativos. Segundo o professor, essas instituições adotam estrutura administrativa e acadêmica fortemente orientada pelo mercado. Ele alertou que, em muitos casos, a qualidade dos cursos não atende plenamente às demandas reais das profissões.
Como exemplo, citou cursos de Medicina que registraram desempenho insatisfatório no Exame Nacional de Desempenho dos Estudantes. Para o palestrante, esses resultados revelam fragilidades na formação técnica e científica. Ele argumentou que o modelo mercantil prioriza estratégias de marketing e expansão de matrículas, muitas vezes em detrimento da consolidação acadêmica.
A reflexão provocou debate entre os participantes e reforçou a importância de pensar a educação como direito social e compromisso público, não apenas como produto.
PEI na Educação Profissional e Tecnológica
À tarde, a programação voltou-se à prática pedagógica com o tema “Entendendo o PEI na Educação Profissional e Tecnológica”. A atividade foi coordenada pelas servidoras Adriana Riguer Della Mea e Sabrine de Oliveira, integrantes do NAPNE do Campus Ibirubá.
As profissionais destacaram a importância de adaptar as aulas para estudantes com necessidades educacionais específicas. Elas reforçaram que o professor não precisa elaborar uma aula completamente nova. O essencial é considerar as capacidades e limitações de cada estudante ao transmitir o conteúdo.
A orientação enfatizou ajustes metodológicos, flexibilização de estratégias e adequação de instrumentos avaliativos. Outro ponto central foi a necessidade de registrar evidências das adaptações realizadas. Esse registro garante acompanhamento adequado e respaldo institucional ao trabalho docente.
Ao final, os participantes realizaram uma atividade prática. Divididos em duplas, elaboraram um modelo de Plano Educacional Individualizado seguindo o passo a passo apresentado pelas coordenadoras. A proposta estimulou a aplicação imediata dos conceitos discutidos e fortaleceu a cultura de inclusão no campus.