Geral
Projeto Integrador: estudantes do Campus Farroupilha aplicam conceitos de gestão em prol da transformação social
No primeiro semestre de 2026, o Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Rio Grande do Sul (IFRS) – Campus Farroupilha consolidou as atividades do Projeto Integrador: Ressignificar. Desenvolvido por acadêmicos do curso de Tecnologia em Processos Gerenciais, sob a orientação dos professores Claudia Soave, Oderson Panosso e Tania Craco, a iniciativa conectou o conhecimento de sala de aula às demandas reais da comunidade, aplicando conceitos práticos de administração e sustentabilidade na região de Farroupilha.
A ação materializou a indissociabilidade entre ensino, pesquisa e extensão ao articular as disciplinas de Gestão de Cadeia de Suprimentos, Gestão Financeira e Empreendedorismo. Os estudantes deixaram o modelo tradicional e departamentalizado de ensino para atuar diretamente como agentes de mudança social e ambiental, desenvolvendo soluções reais estruturadas em duas grandes fases públicas.
Primeira Fase: Inclusão Escolar com o Projeto “Sentir & Sorrir”
A primeira grande entrega do projeto ocorreu no dia 16 de maio de 2026, com a inauguração oficial da primeira praça sensorial da região da Serra Gaúcha. O espaço foi implementado nas dependências da Escola Municipal de Ensino Fundamental (EMEF) Senador Teotônio Vilela, no Bairro Industrial, localidade escolhida devido aos índices de vulnerabilidade social e à necessidade de suporte pedagógico a estudantes neurodivergentes.
Para viabilizar a ação, que contou com o apoio essencial do IFRS devido às limitações orçamentárias do município, os acadêmicos planejaram e coordenaram uma revitalização completa na infraestrutura de lazer e inclusão da escola, que agora conta com:
- Cancha Sensorial: Estrutura projetada para aguçar os sentidos por meio do contato com diferentes texturas e elementos visuais;
- Quiosque Pedagógico: Área coberta voltada para a realização de dinâmicas de grupo, conversas e atividades diversificadas pelos professores;
- Área de Leitura: Espaço calmo e integrado à natureza para incentivo ao hábito de ler;
- Revitalização Geral: Pintura e reforma da casinha de bonecas, além da recuperação dos brinquedos já existentes no pátio.
Segunda Fase: Modelos de Negócios e a Feira de Economia Circular
Dando sequência à aplicação prática dos conceitos de gestão, no dia 13 de junho de 2026, os discentes promoveram uma feira de negócios aberta à comunidade local. O evento apresentou alternativas viáveis de economia circular e modelos regenerativos projetados para absorver e ressignificar passivos ambientais expressivos na Serra Gaúcha, como os resíduos das indústrias vitivinícola e de processamento de frutas de Farroupilha.
Quatro empresas ecológicas e pilotos inovadores foram idealizados pelos estudantes:
- Citrus Pets: Desenvolveu um tapete higiênico sustentável e 100% biodegradável para animais de estimação. O produto transforma em recurso o papel reciclado e o bagaço de laranja — resíduo que ultrapassa 1,1 mil toneladas anuais na cidade —, aproveitando o ácido cítrico natural para neutralizar odores e reduzir o consumo de plásticos de origem fóssil.
- uVitas: Elaborou bandejas sementeiras biodegradáveis e destacáveis a partir do reaproveitamento de bagaço de uva e borra de café. As células podem ser plantadas diretamente no solo junto com a muda, evitando o estresse radicular. A projeção aponta o potencial de reaproveitar cerca de 2,1 toneladas de bagaço de uva por ano.
- Vinaccia: Criou um kit composto por um porta-garrafa e dois porta-taças voltado a experiências gastronômicas e ao turismo local. A manufatura artesanal combina o bagaço de uva com parafina, agregando valor estético, exclusividade às peças e conexão com a cultura vitivinícola regional.
- Vinmel: Desenvolveu um acendedor ecológico de alta eficiência para lareiras, churrasqueiras e fogões a lenha, composto por cera de abelha natural e bagaço de uva seco. Com tempo de queima estimado entre 8 e 12 minutos e baixa emissão de fumaça, o produto substitui alternativas químicas derivadas do petróleo.
Retorno à Sociedade e Cidadania Responsável
A conclusão do Projeto Integrador cumpre estritamente as diretrizes da Lei Federal 11.892/08, que rege os Institutos Federais, estimulando a difusão de conhecimentos científicos e a transferência de tecnologias sociais voltadas à preservação ambiental.
Para o Campus Farroupilha, a ação reforçou o papel estratégico da instituição em retornar o investimento público à comunidade e desenvolver nos futuros gestores o perfil empreendedor aliado à ética, ao profissionalismo e à responsabilidade socioambiental.