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Lives rememoram os 10 anos do Campus Osório


Instituições são feitas de pessoas e das ações que elas promovem. Mas, na dinâmica do dia a dia, não fica muito clara a dimensão da transformação social provocada na comunidade que a cerca. Com a proximidade da comemoração de aniversário de uma década do Campus Osório, o Núcleo de Memória do campus resolveu ‘remexer nesse baú’ de memórias e sensações. Para isso, promoveu bate-papos virtuais com alguns estudantes egressos e ex-servidores que estiveram na instituição em períodos distintos e foram parte desta história. E o resultado das lives, realizadas no período de 1º a 29 de junho de 2020, superou as expectativas de todos: organizadores, convidados e público participante.

“Foram momentos marcantes! As lives oportunizaram que egressos e antigos colegas pudessem compartilhar suas memórias, reforçando um sentimento de pertencimento, de profunda identificação, que muito fortalece nossa instituição nesse difícil contexto de pandemia. Mais do que isso, todos nós aprendemos através das experiências compartilhadas, dos relatos sobre o ingresso no IFRS, o quotidiano escolar, as amizades, as ações. Somos muito gratos pelos que compartilharam suas vivências!” – comemora Marcelo Vianna, diretor de Pesquisa e coordenador do Núcleo de Memória do Campus Osório.

Participaram dos bate-papos virtuais estudantes de todas as modalidades. Os primeiros a compartilhar suas vivências e experiências foram os egressos Nínive Girardi, Andrei Dornelles e Beatriz de Aguiar, do Técnico em Administração Integrado ao Ensino Médio. No segundo encontro, André de Souza, Cláudia Pelisoli e Lourdes da Silva, representaram os cursos Subsequentes. Os egressos dos cursos superiores Renata da Silva, Ezequiel Pires e Tamires Vieira foram os convidados da terceira live. Na quarta, dividiram suas lembranças os servidores Andreza Cunha, Andréia Inocente, Andréia Meinerz e Marcelo Siqueira Campos. Os alunos da pós-graduação Talita Ingrassia, Lucas Santos e Ana Porto estiveram no quinto encontro. E para fechar o ciclo, os egressos do Técnico em Informática Integrado ao Ensino Médio, Jade Garcia, André Berzagui e Cediane da Silva.

A tônica dos encontros foi o sentimento de gratidão dos convidados por terem feito parte do Campus Osório e pelo Campus Osório ter passado por suas vidas. Para os estudantes, pela formação humana que ajudou a moldar os seres humanos que são hoje. Para os professores e técnicos administrativos, pela oportunidade de colaborarem com seu trabalho para a construção de um campus que se tornou  referência para todo o IFRS.

Andréia Inocente, pedagoga do Campus Ibirubá, iniciou sua trajetória no Campus Osório em julho de 2010, em meio ao desconhecido. Chegou de Erechim, assim como muitos concursados da época, para trabalhar num prédio em obras cedido pelo município, a então Escola Osvaldo Amaral, onde nascia uma unidade de uma instituição recém criada. “Tive medo de me exonerar no estado, onde trabalhava como professora há oito anos. Pensei ‘para onde é que estou vindo?’. Por seis meses trabalhei também na 11ª CRE, cumprindo 60h. Não conhecia o litoral, a profissão era nova – pois a carreira técnico-administrativa é muito diferente da docência, elas se complementam. Foi bem difícil no começo. Mas me encontrei no meu papel. Osório me ensinou um caminho, me mostrou um norte!”

A nova instituição se desenhava aos olhos dos jovens ingressantes com inúmeras possibilidades: participação em projetos de ensino, pesquisa e extensão, atividades artísticas, desportivas, atuação como bolsistas, entre outras. Para Jade Garcia, formada em 2014 na primeira turma do Técnico em Informática Integrado, a surpresa do Campus Osório são as atividades extracurriculares. “É viver o espaço e todas as experiências que ele pode proporcionar. Agradeço por ter aproveitado meu tempo lá e feito parte dos grupos que iniciaram o Neabi e o projeto de música, com grandes mulheres, as professoras Tina e a Agnes. Continuo colhendo até hoje os frutos da instituição e das pessoas que estavam lá, naquele momento tão confuso da adolescência, tentando nos guiar, nos ajudar”, ressaltou.

Jornalista diplomada no início do ano, Nínive Girardi atribui ao Campus Osório a descoberta de sua identidade e, consequentemente, da sua profissão. “Eu sou muito falante, mas antes eu era bem introspectiva. Não dá pra me reconhecer, daquele primeiro ano, com 14 anos de idade, pra agora. Mudei inteiramente! E, com certeza, estudar no IFRS teve um papel muito importante pra eu desabrochar, amadurecer, me soltar, me encontrar e lapidar esse talento que já estava comigo, mas que era bem escondidinho e inseguro ainda”.

Mas até quem tinha passado da adolescência há algum tempo sentiu a transformação proporcionada pelo campus. É o caso de Lourdes Cerlei da Silva e André de Souza, colegas no curso Técnico em Guia de Turismo na turma estreante de 2010. Ela, recém aposentada, vislumbrou a possibilidade de preencher seus dias com uma nova profissão. E ele, então atendente de farmácia, se desafiou a voltar para uma sala de aula após 19 anos. Aprenderam bem mais que uma profissão e se tornaram grandes amigos e parceiros de trabalho.

“Me descobri uma pessoa melhor depois de passar pelo Instituto, pelo processo de estudar, de exigências e pelas pessoas que invadiram minha vida. Meu olhar para a história mudou, para a arte, para literatura… A professora Guta me mostrou um outro mundo da história. E a professora Tina me marcou demais, pois passei a entender melhor a arte e vê-la como um meio de expressão. Uma janela se abriu, o mundo foi outro!”, exaltou André.

E se o desconhecido, por si só já causa um certo receio, imagina o que significa para uma jovem do Ensino Médio ser a voz dos mais de 20 mil estudantes dos 17 campi do IFRS?! Esse desafio foi enfrentado pela egressa Cediane Luz da Silva em 2018, quando integrou a comissão central de elaboração do Plano de Desenvolvimento Institucional (PDI) 2019 – 2023 do IFRS.

Ela já era representante discente do campus no Conselho Superior do IFRS (Consup) por convite do então diretor Claudino Andrighetto e eleita entre os pares. “Topei participar, mas me assustei quando cheguei lá e vi que o Consup era composto por diretores-gerais, reitor, pessoas que eu achava que não me dariam voz. Mas a gente tem voz para falar o que a acha e o que quer fazer. Fui incentivada por professores e técnicos! A mesma coisa no PDI, quando uma docente do Campus Sertão, de Educação Física, me mostrou o quanto era importante eu participar, mesmo sendo a única aluna, ao dizer: ‘Não podemos fazer nada de nós, sem nós!’. Isso faz a gente saber do quanto é capaz! Quem não estava escutando, ia ter que escutar, que a gente tinha, sim, voz!”, destacou Cediane.

Maria Augusta Martiarena, professora de História do campus desde junho de 2010 e integrante do Núcleo de Memória, enfatizou, durante a live da pós-graduação, a importância das políticas de interiorização das instituições públicas de Ensino, reafirmadas pelas falas dos egressos Talita Ingrassia e Lucas Santos. “A possibilidade de acesso que vocês relatam é fundamental e representam a oportunidade de muitas pessoas que não teriam como chegar ao ensino superior e dar seguimento aos seus estudos se não fosse a integralização do ensino” – disse Augusta.

Oportunidade essa que foi muito bem aproveitada por Renata Oliveira da Silva, 28 anos, que está trilhando sua trajetória no IFRS. Ainda no ensino superior, no curso de Tecnologia em Processos Gerenciais, descobriu sua paixão pela docência. Nem tinha recebido o diploma quando passou na seleção para ser professora pelo Pronatec no Campus Osório, em 2014, onde atuou em diversos municípios do litoral norte. No mesmo ano, ingressou na pós-graduação. Hoje faz parte da equipe do Campus Rolante, como professora substituta. “Tenho muito orgulho do IFRS, de pertencer, e sempre que vou me apresentar a uma turma nova, trago histórias do Campus Osório, como motivação, pois lá é um campus novo, como Osório já foi um dia. E tento ser com meus alunos como os professores do Campus Osório e os técnicos foram comigo: amigos. Isso preenche os alunos, faz toda a diferença, acolhe”, resume.

Para Lucas, concluinte da pós em 2018, a interiorização só reforça o sentimento de pertencimento, já que o ambiente molda as pessoas: “Quando tu estás numa cidade onde tem acesso ao ensino superior, à pós-graduação, ou que seja a um curso técnico, parece que há um engajamento social. A cidade enraíza essa cultura. Quando tu sai de um lugar que não te propicia esse acesso, e chegas em um local em que esse acesso é comum, tu te sentes fazendo parte desse pertencimento e isso contribui até para a constituição da tua identidade. A interiorização te deixa mais perto de ter mais conhecimento e de vislumbrar novos horizontes. E no Campus Osório esse sentimento fica mais nítido, pois cada um faz sua função da melhor forma, se doa para os discentes que ali estão, e tudo reflete na turma, que entra nessa energia boa. Era bom estar ali, estar onde a gente estava! A gente tá aqui pra dizer que não foi em vão, ficaram bons aprendizados e boas lembranças”, concluiu.

 

Desde maio, o Núcleo de Memória promove ações virtuais para marcar as comemorações de uma década de atividade do Campus Osório. Novas lives estão sendo organizadas, entre as quais o evento de 10 anos do Campus Osório, agendado para a noite de segunda-feira, 3 de agosto. A programação será divulgada na próxima semana!

 

Sobre o Núcleo de Memória do Campus Osório

Institucionalizado pela Portaria 112/2020, é composto pelo diretor de Pesquisa, Pós-Graduação e Inovação Marcelo Vianna, professora de História Maria Augusta Martiarena de Oliveira, bibliotecária Luana Monique Delgado Lopes,  jornalista Gabriela Morél e professora de Educação Física Mariana Ost.

Porém, o envolvimento do Campus Osório começou bem antes, em outubro de 2017, com a participação da docente Maria Augusta na criação e implantação do Programa Núcleo de Memória do IFRS. Desde o ano passado, integrantes do núcleo no Campus Osório estão envolvidos na organização de documentos históricos e de fotografias digitais.

O contato com o Núcleo de Memória do Campus Osório pode ser feito pelo e-mail numem@osorio.ifrs.edu.br

 

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